Criei a categoria Inebriado. Serão textos que foram escritos enquanto estava meio tonto, por assim dizer.
Cético que sou coloquei na cabeça que ao fim da tinta dessa caneta minha vida mudará para melhor. Vai melhorar.
Creio também, veja quão cético, que se essa caneta pudesse falar já teria me implorado por aposentadoria. Não tenho como precisar a data, mas essa coitada já está comigo há mais de 10 anos.
Outro fato é que mesmo que a modernidade nos desencoraje a escrever assim, na tinta, o negócio é que tenho vergonha de não saber escrever. Bem, não que não saiba mesmo escrever, mas sim que não tenho o domínio que acho que deveria ter da escrita. Erro demais. Erro muito. Se não fosse esse pequeno “empecilio”, “impecilio”, “empecilho” ou “impecilho” essa caneta já era finada. É empecilho. Vi aqui no computador.
Aparentemente ela atende por CIS Cello Techno 0,7. Uma caneta esferográfica azul da CIS modelo Cello Techno com ponta de 0,7mm. Mesmo que minha letra seja horrível, gosto da forma como ela deslisa sobre superfícies que bem aceitam sua tinta.
Após tantos anos de uso esporádico o fundo da caneta acabou rachando, o que tornava inviável escrever com ela. De tanto me frustrar tentando usar outras canetas, resolvi colar esse fundo, que é uma espécie de tampa em rosca, e deu certo.

Atualmente ela fica sobre ou do lado da base que dá altura ao meu monitor, sobre ou ao lado de um caderno de capa preta, desses que tem um elástico para o manter fechado, com 192 páginas pautadas nas dimensões de 13,8 x 20 cm em papel marfim de 70g/m2. Acho que algumas pessoas chamam isso de moleskine, e provavelmente assim o chamam como chamados as esponjas de aço de Bom Bril. Enfim, ela fica sobre do tal moleskine aguardando minha boa vontade de escrever. O problema é que tenho vergonha de errar.
